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O Festival Gnaoua e Músicas do Mundo, que decorre em Essaouira, é um festival ao qual acorrem artistas e espectadores de todo o mundo. Desde a sua criação, em 1998, que o Festival de Essaouira se impôs como um acontecimento cultural muito relevante, tendo vindo a ganhar importância graças à presença de músicos internacionais e a um público cada vez mais numeroso. Contando com 20.000 espectadores na sua primeira edição, atraiu, da última vez, mais de 400.000 pessoas, a maioria vinda do estrangeiro. Cruzamento de trocas de ideias e diálogos, o festival acolhe todas as correntes de expressões musicais, em volta dos músicos magos de Essaouira.
Os Gnaoua são descendentes de antigos escravos, originários da África Negra. Organizados em irmandades em todo o Reino de Marrocos, os Gnaoua são músicos magos ("maâlem"), encantadores de serpentes, videntes, médiums. As suas práticas, musicais, de iniciação e terapêuticas, misturam contribuições africanas e árabe-bereberes. Embora muçulmanos, os Gnaoua fundam a sua especificidade no culto dos "jinn" (espíritos) e os seus ritos conservam numerosas características comuns aos cultos africanos de possessão. A cerimónia mais importante e mais espectacular dos Gnaoua é o Lila, cuja função é essencialmente terapêutica. Durante a celebração, o maâlem, acompanhado pela sua gente, pede aos santos e às entidades sobrenaturais para possuirem os adeptos, que entram em transe. Este ritual é comparável ao vudú do Haití e à macumba do Brasil. O resultado é um encontro intenso entre os herdeiros de uma tradição secular e os artistas de diversos horizontes, a descoberta das respectivas tradições, como volta às raízes milenárias comuns.
Neste extraordinário laboratório de fusões musicais, os mestres Gnaoua convidam os músicos jazz, pop, rock ou world, intérpretes da música contemporânea, a explorar novos caminhos. Os instrumentos mais utilizados são o luth, o tambor de três cordas (guembri), o crótalo (qraqeb) e os tambores (ganga). |